Sabemos que nosso sistema solar e outros que existem por nossa galáxia e outras galáxias foram formados a partir de um lento processo de agregação de poeira cósmica resultante do colapso de antigas estrelas.
Ao longo de uma escala de milhões de anos, a atração gravitacional vai construindo primeiro um centro de um sistema e, à sua volta, em linhas orbitais, vão surgindo centros secundários.
Em sua fase final, já com os grandes campos gravitacionais definidos, é o violento impacto de asteroides o que contribui para o surgimento de um sistema planetário.
Vamos olhar agora para a psique humana e sua capacidade de absorver as experiências no campo da existência.
O processo de agregação pode ser visto em nossas vidas e é análogo à formação de sistemas planetários bem como de galáxias.
Assim como os planetas, também nós temos os choques existenciais que perturbam nosso campo magnético, alterações análogas às que incidem nos movimentos de rotação e translação, bem como reorientações gerais devido às atualizações de massa, temperatura, densidade e pressão do núcleo.
Assim como os planetas, somos passivos diante de um mundo que parece ser regido por leis de agregação de matéria, consciência, experiência, assimilação e transformação.
Parafraseando Guimarães Rosa ("Viver é perigoso..."), podemos dizer que viver é estar em permanente rota de colisão.
Assim como os corpos planetários, a psique humana não segue necessariamente um mesmo e previsível curso de formação. Alguns planetas são gasosos e outros não. Uns são gigantes e outros pequeninos, e as funções que ocupam, tanto astronomicamente quanto astrologicamente, os tornam radicalmente distintos e únicos.
A diversidade que encontramos entre planetas, sistemas solares e galáxias nos faz pensar num multiculturalismo universal regendo o universo.
Os planetas apresentam também diferentes ângulos de inclinação com relação ao plano da eclíptica (plano de translação da Terra) e, tendo em vista o atual estágio de nosso sistema solar, parece pouco provável a ocorrência de grandes mudanças endógenas até que a estrela colapse dentro de alguns bilhões de anos, ou seja, atingimos um ponto de equilíbrio que sugere uma estabilidade, ainda que relativa. Nós também atingimos uma idade onde os impulsos de procura e diversificação desaceleram antes de entregarmos à Terra o corpo que dela tomamos.
Assim como acontece aos planetas, alguns impactos em nossa psique chegam a ser tão profundos que podem causar uma desagregação, e, como consequência, redefinir por completo o objeto inicial.
Segundo teoria atualmente aceita, nossa lua, por exemplo, teria se formado do choque entre uma Terra primitiva e outro grande corpo celeste.
Assim como os planetas, psiques de "maior massa" vão aos poucos se tornando mais resistentes ao assédio ambiental e cruzam imperturbáveis por ambientes adversos agregando mais e mais elementos à sua formação.
Falando de astrologia, Urano, Netuno e Plutão, os grandes agentes da transformação, seriam nossos marcadores orbitais, os condutores de nossos impactos com as realidades internas e externas que agregarão, ou desagregarão, "matéria psíquica".
Da criança ao adulto, do adulto ao idoso ( ou ao longo de vidas ), passamos por "ciclos orbitais" de experiências que nos definem como seres mutantes. Essa irresistível qualidade de mutação incide sobre nossas emoções e pensamentos, sobre nossas atitudes e comportamentos e sobre nossos sonhos e esperanças.
Como uma casa que vai sendo demolida enquanto é construída, mal sabemos sobre que terreno ou intenções vivemos nossas vidas. Diante dessas forças poderosas não há conforto, malgrado o nosso esforço, nossa eterna busca por acolhimento.
Precisamos, no entanto, dessas esferas de acolhimento; nossos conhecimentos e crenças alcançam modestos triunfos, ainda que os saibamos provisórios.
Finalmente, nos cabe refletir sobre o admirável mundo em que vivemos: a Terra. Um planeta que reúne qualidades únicas, ao menos em nosso sistema, que talvez apontem para os caminhos da nossa consciência em evolução.
Talvez a natureza terrestre com seus quatro elementos encerre os segredos do destino final. Talvez nosso pequeno planeta nada mais seja que o estágio de um ninho que deva ser abandonado para as grandes imensidões do universo, da criação e das esferas superiores da existência.
..