Reflexões sobre esse conhecimento estranho e fascinante que faz com que, ainda hoje, 25 anos depois dos primeiros livros e primeiros mapas, eu me surpreenda quando encontro, em um mapa, o retrato simbólico exato de uma vida real.

segunda-feira, 28 de março de 2011

- CONSIDERAÇÕES ASTROLÓGICAS 1

                       Afinal, o que é o mapa natal? Após 25 anos de observações, confesso que ainda me surpreendo.  Parece uma ironia.  Talvez um astrólogo com problemas existenciais.  Ora, os médicos também não têm dúvidas sobre o que prescrevem para seus pacientes??? Com certeza sim.  Penso que alguns astrólogos são posudos demais para aquilo que ensinam ou utilizam como análise de uma vida. 
                      Comecei a ler meus livrinhos em 1985 e não desgrudei mais dessa coisa chamada astrologia. Vieram depois os cursos e os livrões. Mas nunca fui um profissional exclusivo: durante esse tempo, fui bancário, trabalhei na administração de um hotel, sou músico, poeta e cronista.  Até hoje me espanto com a profusão de símbolos que surgem quando juntamos um monte de técnicas de previsão para analisar um período da vida de algum cliente.   Não há computador ou mente humana capaz de destrinchar, em poucas horas, e "classificar" ou "hierarquizar" a infinidade de significados que podem emergir dali.
                     Outro dia, li um texto, num site de astrologia que me pareceu muito sério, a opinião de um dos articuladores que dizia que o correto seria um astrólogo acompanhar uma pessoa ao longo de toda uma vida.  Segundo esse texto, deveria existir a figura do astrólogo de família assim como há o médico de família, aquele profissional que acompanha a família há décadas e que, por isso, está muito bem cercado de informações sobre aquele indivíduo, o seu meio, suas aspirações, sua história, sua educação, seus pais, irmãos etc.  Concordo plenamente, seria muito mais fácil e seguro trabalhar nessas condições

                        Astrologia não é adivinhação, sabemos.  Mas poucas pessoas fora da astrologia sabem disso.  Ninguém espera que um médico ou psicólogo faça um diagnóstico só de olhar a cara do freguês.  Mas o astrólogo continua a ser olhado como um clarividente, um guru, um feiticeiro, uma espécie de xamã capaz de olhar e ver toda a sua vida.  Essa expectativa irreal é tão comum, em tantos que querem ser compreendidos em sua singularidade, que ilusões diversas se apresentam para preencher essa necessidade.

                         Assim, em astrologia,  - ciente das limitações e inseguranças dessa  ciência, somadas às suas próprias -  o astrólogo precisa de atenção redobrada para não se transformar em um agenciador de ilusões.
                    
                         Talvez, para o astrólogo, o  verdadeiro caminho de sua arte seja o sensível equilíbrio entre o foco no mapa e o foco na individualidade única à sua frente , adotando um atitude de humildade e respeito pela realidade mágica, complexa e indecifrável de um ser humano.

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domingo, 13 de março de 2011

- MULHERES AR-FOGO.




                  Ela é linda e tem o corpo escultural, mas, homens, cuidado, essa mulher foge a todas as definições do feminino que vivem no imaginário masculino.  Ela é dinâmica, objetiva, esportiva e independente em alto grau.  Bem humorada e de raciocínio rápido veio ao mundo com a missão de exterminar a cultura machista que ainda existe em redutos que vão desde os países sul-americanos ou muçulmanos até clubes para homens, em plena Europa, onde a mulher já conquistou uma melhor condição de igualdade com o homem. 

                 Mas não pense que a mulher ar-fogo tem um discurso feminista na ponta da língua: não precisa, sua vida vale mais que mil discursos pró igualdade entre os sexos.  Além disso, ela não quer ser masculina, pelo contrário, persegue, entre batons, saias e filhos, sua identidade feminina.

                  Ironicamente, no entanto, essa mulher vai buscar a união e seu equilíbrio com um homem do tipo água-terra, e aqui começa uma peça de muitos atos e desatos entre esses dois seres que andam na contramão do estereótipo de sua sexualidade.  Ele é contemplativo e suspira lendo poesia, adora ficar em casa, indeciso, lento, melancólico, ciumento e temeroso.  Ela, um dínamo de energia criativa e positiva.  É claro que, levados a esse extremo caricatural, esse casal não suportaria mais que trinta segundos juntos.  Mas a vida conspirou para aproximá-los, dando a essa mulher alguns pontos em água-terra e a esse homem um pouco de ar-fogo, além de existirem inter aspectos que explicam a afinidade e a atração.

                 Uma amiga foi minha inspiração para esse texto.  Ela tem Sol-Mercúrio e ascendente em Áries, Lua em Gêmeos, Marte e Júpiter em Aquário e uma Vênus nadando solitariamente nas águas de Peixes.

                 A combinação Áries, o signo mais ativo, com Aquário, o signo mais impessoal, é aquela que dá o tipo mais extremo entre as combinações ar-fogo em mapa de mulher.


                Isso significa, por exemplo, uma mulher que deixa os homens inseguros por ser forte, firme, decidida e ter sempre um ar de "não preciso de você" ( e não precisa mesmo).

                 Atualmente envolvida com um canceriano, me encontrou aflita na rua para falar das dificuldades do relacionamento.  Me sinto responsável, afinal fui eu que enumerei os pontos positivos entre os mapas no começo apaixonado da relação.  Após o desabafo inicial, reconhece que tem aprendido muito com o seu companheiro. Respiro aliviado e emendo com o velho discurso da paciência e tolerância que as pessoas de forte traço ariano ouvem com a atenção de uma criança levada e ...não demoram a esquecer.

                 Evitando generalizações (vício tão comum entre astrólogos e simpatizantes) preciso dizer que já conheci arianos verdadeiros gentlemen e que a impaciência assim como a irritação e a intolerância não são traços que possam ser  identificados por signo mas pelo estudo dos planetas no mapa.

               Já em casa, me pergunto o quanto essa misteriosa ciranda zodiacal que mal se faz conhecer através de véus aos astrólogos pode ser usada para nos ajudar nesta curta passagem da vida.

             A astrologia tem sido para mim uma mestra tolerante. Lentamente, ao longo de mais de vinte anos, ela tem desmontado as muralhas de dúvidas que levantei e que, por hábito, torno a levantar. 


            Perfis extremos, como o de minha amiga ariana, são raros, mas, graças a eles, podemos ver de perto, ainda vivos e inequívocos, os mesmos arquétipos que impressionaram os povos da antiguidade.
(texto escrito em 2005)

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- ASTROLOGIA: CIÊNCIA OU SUPERSTIÇÃO?

   


                     Definida como a ciência que estuda a relação entre fenômenos celestes e terrestres, a  astrologia remonta aos primórdios da civilização, tendo sido encontrados, em plaquinhas de argila datadas de 4.000 a.C, os seus primeiros registros.
                    Para alguns autores, a astrologia se desenvolveu a partir da observação dos astros, do seu simbolismo natural. Assim, o sol, por ser o grande centro luminoso e doador da vida, ficou associado à divindade e a seus atributos: realeza, nobreza, clareza etc. A lua, pela alternância de formas e por sua luminosidade delicada, foi associada ao arquétipo do feminino: ao ciclo menstrual, às emoções e aos humores. Em alguns planetas, esse simbolismo natural também é evidente, como Marte, de coloração avermelhada, que traduz ação e movimento.
                   Desde sua origem, a astrologia sofreu muitas transformações, mas, no último século, com o advento das ciências sociais, do estudo do comportamento humano e da informática, houve um vertiginoso aparecimento de técnicas, abordagens, ramos e escolas. “Há de tudo.”, afirma Maurício Pedrosa, que estuda astrologia há quinze anos. “Desde astrologia veterinária até a que estuda os movimentos sociais da história, passando pela astrologia médica, financeira, eletiva e por muitas outras. Teoricamente, é possível aplicar o conhecimento da astrologia na química, na física, na biologia, enfim, em qualquer outra área do conhecimento humano, sendo que, é claro, o mais conhecido de todos é o da astrologia psicológica.”, explica ele.
                   “Quanto aos astrólogos, a diversidade não é menor: de místicos espiritualistas a pesquisadores céticos, todos dividem o mesmo interesse por esse saber intrigante.”, complementa.
                  “O que os astrólogos observam”, explica Maurício, “é que o momento inicial - seja um nascimento, uma inauguração de uma loja, um cataclisma natural ou um lançamento de ações de uma empresa na bolsa de valores - guarda uma relação simbólica e vinculante da coisa que inicia com o desenho do céu naquele exato momento
                 “O momento astrológico fornece uma base estrutural que estará presente até o término da existência, ou mesmo após, daquilo que se  iniciou. Dito de outra forma, assim como as variações atmosféricas afetam a vida das pessoas de muitas maneiras, a astrologia seria uma meteorologia cósmica aplicada a um indivíduo, a uma empresa, a uma cidade, a um país, a uma reação química.”

                 -- E a astrologia médica? É verdade que, no nascimento de uma criança, já é possível saber as enfermidades que ela poderá ter no futuro?

                 --"Sim, mas não há fatalismo nisso, são, apenas, possibilidades, assim como a hereditariedade explica que possam se desenvolver nos filhos as mesmas doenças dos pais. Não é possível, porém, saber o estilo de vida que uma pessoa tem, pela análise do seu mapa natal, e isso acarreta um peso considerável nas suas condições de saúde. Assim, há pessoas que instintivamente cuidam bem de si mesmas, enquanto outras vivem em descompasso com suas necessidades físicas e emocionais."

             -- E quanto às colunas de astrologia publicadas em jornais e revistas?

             --"Na melhor hipótese, são feitas por um astrólogo bem intencionado que analisa o céu de um período e se esforça para passar mensagens positivas. Mas, conhecer as pessoas por signo é muito limitado. Faltam muitas outras informações astrológicas e extra–astrológicas para que a astrologia possa ser efetivamente útil.”

             -- E os mapas feitos por computador?

             -- "A informática possibilitou um salto extraordinário para o estudo e a disseminação da astrologia. Graças a ela economizamos tempo e eliminamos a possibilidade de erros de cálculo. Hoje, um astrólogo pode fazer e analisar, em alguns dias, uma quantidade de mapas, que, no período medieval, levaria uma vida inteira. As limitações da tecnologia, no entanto, aparecem na interpretação da informação astrológica, que continuará a depender do fator humano, porque, com um simples olhar para o seu cliente, um profissional experiente pode captar muitas informações que darão sentido e profundidade aos dados do mapa.  Essa faculdade ainda não é acessível aos equipamentos eletrônicos, e provavelmente, nunca virá a ser, pois, me parece, esse olhar pressupõe consciência.”

            -- Mas, afinal, a astrologia é ou não uma ciência?

            -- “Kepler, importante astrônomo alemão do século XVII, que também era astrólogo, alertava aos críticos da astrologia para não jogarem a criança fora junto com a água suja. Ele aludia a uma parcela de superstições que está impregnada dentro de uma ciência que precisa ser melhor conhecida.
               A homeopatia e a acupuntura (esta no ocidente), tiveram que passar por um século de desprezo para serem finalmente admitidas nas universidades. Quanto à astrologia, a questão é mais complexa, pois, embora o fenômeno astrológico já tenha sido demonstrado em algumas pesquisas, ele parece esquivo o bastante para desaparecer em outras.
                     A imprecisão ou o erro da hora de nascimento, as dificuldades características dos estudos que envolvem psicologia e comportamento humano e a elasticidade da linguagem simbólica fazem com que os resultados das pesquisas nessa área sejam, com frequência, acompanhados de muita polêmica.
              Para resultados significativos é preciso trabalhar com grandes amostragens, o que requer recursos e tempo, mas, devido à baixa credibilidade do tema, não se consegue que as instituições que detêm verbas para pesquisas se interessem por ele. Uma das consequências curiosas desse círculo vicioso é a tendência da palavra astrologia entrar em desuso, sendo substituída por outras denominações como astrobiologia, teoria dos ciclos astronômicos e outras.
              Alguns astrólogos defendem a tese de que a astrologia nunca será um conhecimento acadêmico e que ela é mais uma arte do que uma ciência; outros são incansáveis defensores da clareza científica e dedicam a vida à procura de comprovações estatísticas.
              Seja como for, para o momento, a resposta para essa pergunta seria não, a astrologia ainda não tem o status geralmente atribuído às ciências. Embora o véu de interrogações comece a ser levantado, ela ainda é um vasto campo de conhecimento onde há mais dúvidas do que certezas. Tendo, entretanto, acompanhado cursos e congressos recentes, eu ficaria surpreso, se dentro de trinta ou cinquenta anos, ela não estiver presente em publicações científicas em todo o mundo, ainda que com outro nome, e saberemos, enfim, o que é a criança e o que é a água suja a que Kepler se referiu.”, finaliza Maurício.

( Entrevista concedida por Maurício Pedrosa à jornalista Carina Fernandes, em fevereiro de 2001.)