Reflexões sobre esse conhecimento estranho e fascinante que faz com que, ainda hoje, 25 anos depois dos primeiros livros e primeiros mapas, eu me surpreenda quando encontro, em um mapa, o retrato simbólico exato de uma vida real.

domingo, 13 de março de 2011

- ASTROLOGIA: CIÊNCIA OU SUPERSTIÇÃO?

   


                     Definida como a ciência que estuda a relação entre fenômenos celestes e terrestres, a  astrologia remonta aos primórdios da civilização, tendo sido encontrados, em plaquinhas de argila datadas de 4.000 a.C, os seus primeiros registros.
                    Para alguns autores, a astrologia se desenvolveu a partir da observação dos astros, do seu simbolismo natural. Assim, o sol, por ser o grande centro luminoso e doador da vida, ficou associado à divindade e a seus atributos: realeza, nobreza, clareza etc. A lua, pela alternância de formas e por sua luminosidade delicada, foi associada ao arquétipo do feminino: ao ciclo menstrual, às emoções e aos humores. Em alguns planetas, esse simbolismo natural também é evidente, como Marte, de coloração avermelhada, que traduz ação e movimento.
                   Desde sua origem, a astrologia sofreu muitas transformações, mas, no último século, com o advento das ciências sociais, do estudo do comportamento humano e da informática, houve um vertiginoso aparecimento de técnicas, abordagens, ramos e escolas. “Há de tudo.”, afirma Maurício Pedrosa, que estuda astrologia há quinze anos. “Desde astrologia veterinária até a que estuda os movimentos sociais da história, passando pela astrologia médica, financeira, eletiva e por muitas outras. Teoricamente, é possível aplicar o conhecimento da astrologia na química, na física, na biologia, enfim, em qualquer outra área do conhecimento humano, sendo que, é claro, o mais conhecido de todos é o da astrologia psicológica.”, explica ele.
                   “Quanto aos astrólogos, a diversidade não é menor: de místicos espiritualistas a pesquisadores céticos, todos dividem o mesmo interesse por esse saber intrigante.”, complementa.
                  “O que os astrólogos observam”, explica Maurício, “é que o momento inicial - seja um nascimento, uma inauguração de uma loja, um cataclisma natural ou um lançamento de ações de uma empresa na bolsa de valores - guarda uma relação simbólica e vinculante da coisa que inicia com o desenho do céu naquele exato momento
                 “O momento astrológico fornece uma base estrutural que estará presente até o término da existência, ou mesmo após, daquilo que se  iniciou. Dito de outra forma, assim como as variações atmosféricas afetam a vida das pessoas de muitas maneiras, a astrologia seria uma meteorologia cósmica aplicada a um indivíduo, a uma empresa, a uma cidade, a um país, a uma reação química.”

                 -- E a astrologia médica? É verdade que, no nascimento de uma criança, já é possível saber as enfermidades que ela poderá ter no futuro?

                 --"Sim, mas não há fatalismo nisso, são, apenas, possibilidades, assim como a hereditariedade explica que possam se desenvolver nos filhos as mesmas doenças dos pais. Não é possível, porém, saber o estilo de vida que uma pessoa tem, pela análise do seu mapa natal, e isso acarreta um peso considerável nas suas condições de saúde. Assim, há pessoas que instintivamente cuidam bem de si mesmas, enquanto outras vivem em descompasso com suas necessidades físicas e emocionais."

             -- E quanto às colunas de astrologia publicadas em jornais e revistas?

             --"Na melhor hipótese, são feitas por um astrólogo bem intencionado que analisa o céu de um período e se esforça para passar mensagens positivas. Mas, conhecer as pessoas por signo é muito limitado. Faltam muitas outras informações astrológicas e extra–astrológicas para que a astrologia possa ser efetivamente útil.”

             -- E os mapas feitos por computador?

             -- "A informática possibilitou um salto extraordinário para o estudo e a disseminação da astrologia. Graças a ela economizamos tempo e eliminamos a possibilidade de erros de cálculo. Hoje, um astrólogo pode fazer e analisar, em alguns dias, uma quantidade de mapas, que, no período medieval, levaria uma vida inteira. As limitações da tecnologia, no entanto, aparecem na interpretação da informação astrológica, que continuará a depender do fator humano, porque, com um simples olhar para o seu cliente, um profissional experiente pode captar muitas informações que darão sentido e profundidade aos dados do mapa.  Essa faculdade ainda não é acessível aos equipamentos eletrônicos, e provavelmente, nunca virá a ser, pois, me parece, esse olhar pressupõe consciência.”

            -- Mas, afinal, a astrologia é ou não uma ciência?

            -- “Kepler, importante astrônomo alemão do século XVII, que também era astrólogo, alertava aos críticos da astrologia para não jogarem a criança fora junto com a água suja. Ele aludia a uma parcela de superstições que está impregnada dentro de uma ciência que precisa ser melhor conhecida.
               A homeopatia e a acupuntura (esta no ocidente), tiveram que passar por um século de desprezo para serem finalmente admitidas nas universidades. Quanto à astrologia, a questão é mais complexa, pois, embora o fenômeno astrológico já tenha sido demonstrado em algumas pesquisas, ele parece esquivo o bastante para desaparecer em outras.
                     A imprecisão ou o erro da hora de nascimento, as dificuldades características dos estudos que envolvem psicologia e comportamento humano e a elasticidade da linguagem simbólica fazem com que os resultados das pesquisas nessa área sejam, com frequência, acompanhados de muita polêmica.
              Para resultados significativos é preciso trabalhar com grandes amostragens, o que requer recursos e tempo, mas, devido à baixa credibilidade do tema, não se consegue que as instituições que detêm verbas para pesquisas se interessem por ele. Uma das consequências curiosas desse círculo vicioso é a tendência da palavra astrologia entrar em desuso, sendo substituída por outras denominações como astrobiologia, teoria dos ciclos astronômicos e outras.
              Alguns astrólogos defendem a tese de que a astrologia nunca será um conhecimento acadêmico e que ela é mais uma arte do que uma ciência; outros são incansáveis defensores da clareza científica e dedicam a vida à procura de comprovações estatísticas.
              Seja como for, para o momento, a resposta para essa pergunta seria não, a astrologia ainda não tem o status geralmente atribuído às ciências. Embora o véu de interrogações comece a ser levantado, ela ainda é um vasto campo de conhecimento onde há mais dúvidas do que certezas. Tendo, entretanto, acompanhado cursos e congressos recentes, eu ficaria surpreso, se dentro de trinta ou cinquenta anos, ela não estiver presente em publicações científicas em todo o mundo, ainda que com outro nome, e saberemos, enfim, o que é a criança e o que é a água suja a que Kepler se referiu.”, finaliza Maurício.

( Entrevista concedida por Maurício Pedrosa à jornalista Carina Fernandes, em fevereiro de 2001.)

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